
(Source: dibujarodraw)
Acho que nao sou
o que pensei
que fosse ser
Acho que às vezes
me esqueço
de querer
Acho que a vida
me enganou
mais uma vez
Acho que o certo
não é mais
falar inglês
Penso que na noite fria
alguém vai
me ouvir
Alguém que me ensine
como voltar
a sorrir
Pássaros voando
migrando
sem direção
Andorinha,
tão sozinha
não faz mais verão
O véu que protegia
passou a
cegar também
arma sem balas
mantém o mesmo
refém
Garrafas vazias
sem fantasias
de uma vida sozinha
de solidão
um rosto distante
carrega o semblante
da rotina maçante
arroz com feijão
dores profundas
posturas corcundas
cozinhas imundas
ratos no porão
preces ao céu
vidas no papel
o choro no véu
promessas em vão
crianças nascendo
idosos morrendo
pastores vendendo
pensamento pagão
voltar pro início
parar com o vicio
beira do precipício
não é ilusão
Episódio Final de Friends: O Apartamento Vazio.
Não me sinto numa Series Finale, como na cena acima, mas ainda assim, uma boa ”Season” de mim chega ao fim.
Vivi momentos incríveis, de emoções profundas.
Chorei antigos amores, celebrei novos amores, e depois chorei de novo pelos novos.
Bebi muito, bebi pouco, bebi a ponto de colocar um aviso de “Não Gorfe Aqui Dentro” na porta da geladeira.
Cheguei cedo, cheguei tarde, cheguei cedo no outro dia. Cheguei cansado de uma festa enquanto vizinhos iam renovados para a missa.
Dormi sozinho, dormi acompanhado, e dormi sozinho, porém acompanhado.
Vi bancos se partirem e corações se consertarem.
Houveram dias que mal cabia tanta comida, e outros que batata-palha era tudo que precisava existir para que existisse um sorriso.
Guardei garrafas, e expulsei coisas antigas e dolorosas.
Colei posters, e me descolei de certos preconceitos.
Planejei surpresas, morrendo de alegria. E, morrendo de alegria da mesma maneira, vi elas não dando certo e apenas “dando seu jeito”.
Entrei aqui como um garoto, e saio daqui ainda como um. Porém, um garoto mais sábio.
É apenas um espaço físico de lugar, mas, por algum tempo, foi o mais próximo que pude chamar de “Lar”.
As portas não ficarão abertas para a minha volta, mas dei sorte que o primeiro andar é baixo.
Goodbye, Good Friend.
Look at the center of this image for 30sec, then watch Van Gogh’s *Starry Night* come to life.
(Source: lovely-kittens)
Te quero mesmo que você não me queira.
Te quero cansada, sóbria, bêbada
Te quero falando besteira
Te quero quando falas que não me farás feliz
Te quero quando eu sorrio,
você sorri
e retira o que diz
Te quero com o gosto do chiclete do dia-a-dia
Te quero com o hálito matinal
Um sorriso ao espreguiçar
Talvez até um sorriso de alegria
Te quero sem pudores, sem esconder os desejos
Te quero sendo grosso
sendo amargo
sem cortejos
Te quero, apenas, porque nasci querendo assim
Te quero enquanto escrevo textos
Pra você gostar de mim
Te quero, uma errada, que há muito perdeu a fé
e meu dízimo é todo seu
do topo da minha cabeça
até a sola do meu pé
Te quero porque te adoro,
Te quero porque te amo,
Te queria sendo calouro
E te quero agora, veterano.
Te quero, pra mim, impressionada
seja com meus textos, fotos
músicas ou quase nada
Te quero, mesmo que você não lembre
Te queria ontem
Te quero hoje
Irei querer-te sempre.
Passos rápidos, respiração acelerada. Ele se encontrava de novo no velho caminho escuro de todo dia. Ambos os lados eram ilustrados por uma cerca de arbustos e plantas. Árvores irregulares cresciam ao redor do caminho, servindo de moradia para vários pássaros. E lá estava o Pássaro Preto. Grasnando. Observando.
Ninguém sabe qual é seu propósito, ninguém entende o porque dele, mas ele continua lá. Poderia ser como o João-de-Barro, que cerca seu ninho com terra, para solidificar a sua família. Mas não, o Pássaro Preto não possui família, não tem ninguém para proteger. Poderia ser como o Beija-Flor, sempre em busca de alimento, dando sequência ao ciclo da vida, semeando as espécies de plantas por quais passa. Mas não, o Pássaro Preto não dá sequência para nada. Poderia ser como a Andorinha, apenas de passagem, seguindo seu destino de fazer verão ou apenas de iniciar um novo tempo. Mas não, o Pássaro Preto permanece ali, sem motivo, sem destino.
Ele procurou desviar o olhar. Misticismo, superstição. Afinal, era apenas um pássaro idiota, não tinha realmente nada a ver com sua vida. Era sabido que cada vez que tinha o infeliz encontro com o tal pássaro, seu dia desandava. Sem motivo aparente, ele agia de jeito estranho, fazia coisas que não eram dele. Conseguia magoar a pessoa que mais amava. Nunca fora exatamente apegado a muitos rituais, mas por conforto interior, deveria evitar o encontro.
Porém lá estava ele de novo, face a bico com o pássaro. Sim, face a bico e não bico a bico, porque ele já não possuía bico. Deixara, há muito, de ser o menino-frango. Era, agora, o Imaturo. Talvez não fosse um título para se gabar, mas ainda assim, era melhor do que menino-frango. Já não cometia os erros por covardia, agora era apenas inexperiência. Não precisava mais de uma ladrazinha qualquer que vivia de rasgar livros e corações. Tinha agora sua pintora. A menina-que-pintava-o-mundo podia ser uma pintora-amadora, mas nem de longe uma pintora inexperiente. Talvez ele fosse imaturo demais para apenas enxergar as cores, mas lá estava ela, com paciência a lhe ensinar os traços. Porque, mais do que as cores que colorem o quadro, era preciso ver os traços que limitam as cores.
O Pássaro-Preto grasnou uma vez. Duas, Três. Tal qual uma badalada do relógio que avisa o atraso, as grasnadas trouxeram o Imaturo novamente à realidade: Mais uma vez errara. Estava cansado disso, sabia que não era assim, mas por que continuava a errar? Que força misteriosa era essa que o impedia de agir normalmente, de agir naturalmente? De repente aquele Pássaro-Preto estava certo, não era de uma pio suave ou um cantar doce que ele precisava. Era de alguém que grasnasse com ele e o fizesse perceber tudo.
E como num toque de mágica, o Imaturo viu o que sua própria imaturidade o impedia de ver: O Pássaro-Preto não era mau, não trazia mau-agouro. Era apenas igual a ele. Quebrado, encurralado. Gritando por alguma boa alma que passasse e pudesse ajudá-lo. Os encontros não deixavam-no ser ele mesmo, porque lembrava a ele que estava tão quebrado quanto o Pássaro. “Asas negras, notícias negras”. Nunca entendera, então, de fato o que significava. As notícias não eram informações novas, eram lembranças dos problemas velhos.
O momento não durou o suficiente para se apegar a detalhes, mas deixou sua mensagem principal. O Imaturo conhecia bem as cores, bastava contemplar seu dedo e via o anel verde que havia se formado. Sim, isso ele sabia bem, até mostrara novamente - e com cores diferentes - à pintora. Ele precisava dos traços, do traço prateado que o lembrava o quão sério as coisas precisam ser. Se fosse um João-de-Barro, não poderia permitir que sua fraqueza enfraquecesse o sólido ninho. Se fosse um Beija-Flor, não poderia deixar que seu egoísmo marcasse o fim de outras espécies. Se fosse uma Andorinha, não poderia deixar que suas asas machucadas impedissem o Verão de se fazer. Por sorte ele era o Pássaro-Preto, incompreendido, rabugento e meio solitário, porém, bastava consertar suas próprias asas e voar, que tudo se ajeitava. O Imaturo continuou seu caminho, sem ter muita certeza do destino. Mas pela primeira vez, percebeu a beleza do seu encontro e o lembrete que ele lhe trazia: Você precisa se consertar, para poder voar. E após esse lembrete, o imaturo percebeu que talvez a imaturidade não fosse mais um defeito tão grande, e que a perspectiva do quadro, era de cada vez mais cores e traços. E com um último olhar para trás, buscando encontrar os olhos do pássaro, percebeu que o Pássaro não estava mais lá. Pois afinal, um deles já tinha se consertado, e isso havia dado esperanças para o outro.
Blackbird singing in the dead of night,
Take these broken wings and learn to fly.
All your life,
You were only waiting for this moment to arise.